Sunday, 13 December 2015

O Amor Não Cabe Dentro De Um Autocarro

A faca rasgou a noite
não trouxe nada
não há sangue
só dor.

*

Foi a luz que eu vi?
Não.
Foi um raio que me atravessou?
Não.
Foste tu
quando nos vimos pela primeira vez.

*

Eu nunca vi a luz
sou cega
o que sinto veio de longe
escuridão antiga
como uma casa velha
fechada
desabitada
sem nada
só pó
que não brilha no escuro
da noite eterna
mil sóis
aparentemente estrelas
que vacilam
em mim
não acordam o olhar
estou nua
sem rede
a noite chega
mas não há ninguém
à espera

salto
infinito

para uma outra noite
vazia
aqui estou eu
em espera.

*

o meu corpo corre para ti meu amor
corre todo a galope
daqui, os prados infinitos, são lençóis
do nosso amor

*

naquele dia
ele ficou a ler-me poemas de amor
de antigos mestres sufis
eu sei agora
que não eram para mim
naquele dia

virá outra altura
outro momento
em que o som da sua voz
virá ecoar de longe
e nesse dia
eu não estarei
o meu coração estará longe
e ficará só o eco
da sua voz
e daqueles antigos poemas sufis
ficará um amor
por viver, por sofrer
por tudo
tudo ficará por dizer

onde estão os poemas sufis agora?

*

Meu amor
onde andas tu
por que terras
que aventuras
por detrás das colinas
estrelas
que brilham só para mim
não vejo as estrelas
não te vejo a ti
novas do meu amor
alguém me traga
novas do meu amor
que partiu para longe
em aventuras longas
e
só me deixou as estrelas
que não consigo ver.

Friday, 12 June 2015

quero ir ao fundo das coisas
ao fundo do mar
encontrar
nesse lugar
onde não há tempo
a magia
de mim mesma

"naquele tempo eu era muito má poeta
não sabia ir ao fundo das coisas" blaise cendrars